Educação fora da caixa

Você está preparado(a) para a escola do futuro?

Foco em conteúdos oferecidos de maneira desconectada, professores como detentores absolutos do conhecimento, carteiras categoricamente organizadas em fileiras, relação vertical entre educador e aluno, sistemas de ensino instrutivos que se mantém desde a revolução industrial… Nada disso faz mais sentido no contexto educacional atual – e menos ainda em um cenário futuro.

Uma pesquisa realizada em 2014 pela plataforma World Innovation Summit for Education (Wise), da Fundação Catar, mostra que boa parte dos especialistas acredita que até 2030:

  • Os professores se tornarão tutores e mediadores no processo de aprendizagem e os estudantes ganharão autonomia.
  • O ensino terá um formato híbrido, usando plataformas online e espaços físicos onde ocorram as interações sociais entre estudantes.
  • As competências socioemocionais ganharão mais protagonismo.
  • Os conteúdos não serão aprendidos por todos ao mesmo tempo, sendo flexível e adaptável ao ritmo de cada estudante.

 

Para entender melhor quais elementos são importantes e quais são as transcendências necessárias para realizar a adaptação da realidade escolar ao contexto atual, convidamos Anita Abed, psicopedagoga da Mind Lab e consultora da UNESCO para um bate-papo que se dividirá em duas partes. Confira a primeira parte agora!
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Educação fora da caixa: a reinvenção da escola

“Deve-se esperar o inesperado. Precisamos aprender a navegar num oceano de incertezas entre arquipélagos de certeza”

Edgard Morin filósofo e escritor francês

A frase do filósofo, citada por Anita durante a conversa, explicita a relação que os especialistas têm com o futuro da educação – e do mundo que os aguarda. Edgard explica, em um de seus livros, que ‘apesar de todo o progresso da Humanidade, não é possível, ainda, predizer o futuro’. Algumas mudanças já podem ser vistas, mas a verdade é que a escola deveria preparar os estudantes para o inesperado, lidando com o novo a todo momento, em especial no contexto global de revolução digital em que vivemos.

Nosso primeiro ponto para a escola do futuro, diz respeito, portanto à maneira como este espaço estimulará a capacidade destes jovens para lidar com imprevistos.

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Ambiente inovador e com intencionalidade pedagógica

Tão importante quanto inserir ferramentas digitais na escola é preparar os estudantes para lidar com novidades. E qual a melhor maneira de fazê-lo senão transformando o próprio espaço educacional em uma novidade diária?

Por exemplo: para Anita, as carteiras devem ser organizadas de acordo com o objetivo da aula, dependendo da intencionalidade. Este formato pode ser alterado com o objetivo pedagógico:

Quando vou propor discussão a disposição deve ser mais colaborativa como em um círculo. Já quando preciso explicar algo, a disposição pode ser tradicional [uma carteira atrás da outra].

Desta maneira, amplia-se o processo de ensino-aprendizagem com uma atitude simples, sem descartar a importância do modelo tradicional. A chave é variar estes e outros instrumentos para expor os estudantes a um ambiente um tanto imprevisível e estimular a aquisição de conhecimento através de múltiplas linguagens e diferentes canais, respeitando a regra de que cada um aprende de maneira muito singular.
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Muito além do conteúdo

Para a psicopedagoga, é importante que a escola assuma parte da formação de seres pensantes e críticos. Isso contraria a antiga ideia de que a Educação Básica existe para a pura e simples transmissão de conteúdos.

Na escola tradicional e conteudista o aluno aprendia a reproduzir conhecimentos, algo que não faz mais sentido atualmente”, ela defende.

Anita completa: “Basta uma busca no Google para que o jovem seja bombardeado com informações. Ou seja: o problema não é mais o acesso ao conhecimento, mas o discernimento entre o que está certo e o que está errado dentre todos os resultados encontrados. O papel da escola é, portanto, desenvolver este pensamento crítico no estudante para que ele futuramente possa separar aquilo que pode ser aproveitado do que não pode.

Para que isso aconteça é importante estabelecer uma forte parceria entre escola e família, numa colaboração que resulte na formação integral de crianças e jovens. Sabe-se que a família é um importante agente influenciador no desenvolvimento socio-emocional dos estudantes, e que isso afeta diretamente o desenvolvimento cognitivo. Segundo o Portal Gestão Escolar, no estudo “A Eficácia Escolar Ibero-Americana”, o Convênio Andrès Bello identificou que o suporte da família é responsável por 70% do sucesso escolar.

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Habilidades socioemocionais em destaque

Onde mais os estudantes vão desenvolver a habilidade de conviver com outras pessoas se não na escola?”, questiona Anita. A sociedade em que vivemos exige, cada vez mais, pessoas que saibam trabalhar em equipe, se adaptar e resolver problemas com criatividade.

“O desenvolvimento integral certamente envolverá trabalhos em grupo e projetos inovadores que trabalhem as habilidades socioemocionais com intencionalidade, e não como secundárias.”

No Colégio Estadual Chico Anysio do Rio de Janeiro, o Ensino Médio é integral, porém, repleto de formações socioemocionais e projetos de pesquisa liderados pelos alunos. Além de estimular o protagonismo dos estudantes dentro da escola, estas iniciativas favorecem a principal vantagem deste ambiente: o aprender a conviver.
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📌 Gostou da primeira parte do nosso post sobre educação fora da caixa? Então não perca na próxima semana a continuação do bate-papo com a psicopedagoga da Mind Lab, Anita Abed.
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