Educação no Brasil: os desafios de 2017 

O mundo vive em constante transformação. A cada dia temos notícias de novas tecnologias, serviços, produtos, meios de comunicação e, assim como tudo o que foi apontado vive mudando, as pessoas também fazem parte deste processo e mudam constantemente.

A educação tem como dever acompanhar esse ritmo de desenvolvimento, quebrando padrões e enfrentando novos desafios para que cada vez mais as escolas consigam proporcionar um ensino adequado e de qualidade para a formação de seus alunos.

São grandes as barreiras a serem superadas e nada como as oportunidades que o início de um ano possam oferecer para plantar a semente da mudança.

Em uma conversa com Sandra Garcia, diretora pedagógica da Mind Lab, e Anita Abed, psicopedagoga da Mind Lab, foram citados quatro desafios da educação no Brasil que as escolas deverão superar em 2017 para o aprimoramento constante do ensino oferecido. Confira a seguir.

1. Trabalhar a educação colaborativa nas escolas 

O termo “colaborativo” se tornou tendência mundial. Hoje em dia muitos produtos e serviços são lançados no mercado com a necessidade de receberem contribuições de usuários para um aprimoramento constante.

Foi assim que ocorreu, por exemplo, com o Waze, aplicativo de GPS que requer a interação dos usuários para proporcionar uma ótima experiência a eles. 

E a área da educação também necessita do “colaborativo”, afinal, educação se faz em parceria e a escola e família têm que andar juntas. O desafio aqui é conscientizar os pais e responsáveis de que eles devem atuar junto à escola e aos professores no processo de formação dos filhos.

Uma forma interessante de aproximar os familiares do estudante e da escola é promovendo workshops usando jogos de raciocínio e momentos de reflexão sobre as aprendizagens experimentadas. Oficinas utilizando a Metodologia da Mind Lab possibilitam à escola criar contextos de aprendizagem altamente significativos e profundos. A situação lúdica aproxima as pessoas de maneira especial: o divertimento promovido pelo jogo facilita o “estar junto e fazer junto”, a troca de ideias, o protagonismo no pensar e no agir.

2. Desenvolver o senso crítico dos alunos

O jovem de hoje, mais do que nunca, está atento às questões de educação, política, entre outros tantos temas que fazem parte da sociedade que os acerca.

Um exemplo recente dessa participação ativa foram as ocupações das escolas em alguns estados, por alunos que protestavam contra a reforma do ensino médio e a PEC 241, a qual limita o aumento dos gastos públicos.

Com isso, é necessário que o jovem esteja preparado para ser envolvido no processo decisório e ter voz ativa em situações de interesse. E essa preparação está diretamente ligada ao desenvolvimento do senso crítico dos alunos desde cedo, na sala de aula.

“Porque, se realizada corretamente, a educação tem um poder maior que qualquer outra coisa para nutrir cidadãos empoderados, reflexivos, engajados e hábeis, que sejam capazes de traçar o caminho para um planeta mais seguro, ecológico e justo para todos” – Irina Bokova, diretora-geral da UNESCO.

Um dos problemas que vem junto dessa necessidade de participação dos jovens é o fato de não saberem investigar determinada situação com afinco, considerar ouvir opiniões distintas e nem tirar as suas próprias conclusões sobre algum tema com base em evidências e estudos.

Isso se dá pelo fato de não terem sido preparados para lidar com a enorme quantidade de informações com que se deparam diariamente e, consequentemente, não conseguindo filtrar o que é de fato importante e verdadeiro. Nesse caso, desenvolver o senso crítico é primordial para que eles sejam norteados a fim de realizarem boas escolhas tanto em sua vida profissional quanto pessoal. Quanto mais cedo o pensamento crítico for estimulado, melhor.

“Estamos nos afogando em informação, mas ao mesmo tempo, estamos famintos por sabedoria. A partir de agora, o mundo será governado por ‘especialistas em sintetizar’, pessoas capazes de reunir as informações certas no momento certo, pensar criticamente sobre elas, tomar decisões importantes e inteligentes.” – Edward O. Wilson

Lembre-se que, ao utilizar o senso crítico, o aluno passa a aprimorar as suas capacidades intelectuais. É importante incentivá-los a sempre perguntar, a investigar, e não aceitar as coisas sem questionar, pois questionar é pensar.

3. Utilizar evidências a favor do desenvolvimento 

Um dos maiores desafios das escolas é saber utilizar dados a favor do desenvolvimento de seus alunos. Ter uma gestão baseadas em evidências é fundamental para compor o processo de ensino como algo que integra, e não que pune.

As evidências fazem com que os professores consigam entender o que está funcionando em termos de formato de ensino-aprendizagem e quais são os principais pontos de atenção na formação dos alunos.

Quando a escola trabalha analisando resultados frequentemente, consegue fazer revisões rápidas no currículo e desenvolver uma capacitação focada em habilidades essenciais para o aprendizado dos alunos. 

Muitas escolas ainda não adotaram esse tipo de gestão devido à falta de recursos humanos para acompanhar de perto os diagnósticos. O ideal é ter um profissional com capacidades analíticas para entender a situação da escola e promover mudanças rapidamente para que os alunos não sejam prejudicados.

A Rede Metodista trabalha com a gestão por evidências e, segundo Débora Castanha, diretora pedagógica, a equipe acompanha os diagnósticos e cria ações de formação e revisão do currículo, além de repensar práticas pedagógicas. Para isso, conta com a ajuda do MISSU, programa de aperfeiçoamento do processo de ensino-aprendizagem da Mind Lab. Para saber mais sobre este projeto, confira o artigo aqui.

4. Trabalhar habilidades socioemocionais

O tema “desenvolvimento das habilidades socioemocionais” vem sendo bastante discutido no mundo da educação e, inclusive, está entre os tópicos abordados no Relatório de monitoramento global da educação da UNESCO de 2016.

As habilidades e competências promovidas por uma educação geral e abrangente, tais como pensamento crítico, resolução de problemas, trabalho em equipe, alfabetização efetiva e habilidades de comunicação e apresentação, provavelmente serão mais do que nunca valorizadas no mercado de trabalho.

É extremamente importante, portanto, o desenvolvimento de um conjunto de habilidades básicas e transferíveis para a empregabilidade no futuro. O desafio dos sistemas educacionais é como transmiti-las aos alunos da melhor forma possível.

Mesmo que o trabalho com as habilidades socioemocionais não esteja oficialmente na grade curricular, as escolas precisam se adaptar a esta demanda do mercado e capacitar seus alunos para o futuro que lhes aguarda e garantir que eles adquiram capacidades necessárias para viver, conviver e trabalhar no século 21.

“As escolas precisam promover uma mudança de um mundo onde o conhecimento tradicional está perdendo valor rapidamente para um mundo onde aumenta o poder enriquecedor das competências profundas, tendo como base uma mistura importante de conhecimento tradicional e conhecimento moderno, juntamente com habilidades, qualidades do caráter e aprendizado autodirecionado.” – Andreas Schleider, diretor de Educação e Habilidades para a OCDE.

Uma hora a mais de aula por semana já faria grande diferença neste processo de desenvolvimento. A Metodologia do Programa MenteInovadora utiliza jogos de raciocínio como recurso pedagógico para que o professor, com suas intervenções intencionais, seja o mediador no desenvolvimento de habilidades socioemocionais e cognitivas, promovendo a construção de ferramentas internas (estratégias e métodos metacognitivos) nos alunos que os habilita a lidar de maneira mais eficiente consigo mesmo e com a realidade que os cerca. 

Em seu currículo, desde a Educação Infantil até o Ensino Médio, são focadas competências necessárias para o autoconhecimento, o trabalho em equipe, a atitude investigativa, o gerenciamento de recursos, o posicionamento crítico, a captação e análise sistemática de informações, o autocontrole, a autorregulação, o planejamento entre tantas outras habilidades necessárias para a vida.

📢 E você, vê sinergia entre os desafios apontados acima e a realidade da sua escola? Na sua opinião, quais os principais desafios a serem enfrentados em 2017? Conte pra gente! 

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