Escola do futuro

Você está preparado(a) para os novos modelos educacionais?

A escola é um espaço que fará florescer as habilidades e aprendizados de gerações, que, nós, educadores, ainda nem chegamos a conhecer. Por isso mesmo, existe uma grande discussão à respeito do que tem funcionado e do que pode ser reformulado, a fim de criar um novo tipo de instituição: a escola do futuro.

Conversamos com a Anita Abed, psicopedagoga da Mind Lab e consultora da UNESCO, e apuramos mais 4 iniciativas essenciais para a criação deste ambiente baseado na autonomia e criatividade. Para ler a primeira parte deste artigo, que conta com outras 4 iniciativas, clique aqui.
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Aprendizagem com significado

O atual sistema educacional ainda possui características originadas do padrão militar de educação da Prússia do Século 18, que tinha como objetivo estimular a disciplina de maneira a formar indivíduos obedientes e exclusivamente competitivos. De lá para cá, inúmeras profissões foram criadas, espaços colaborativos, tecnologias que alcançam pessoas do outro lado do mundo, informações disponíveis o tempo todo e em grande quantidade, financiamentos coletivos, entre outras mudanças que já não condizem com este modelo educacional.

Não há mais espaço para a obediência sem sentido – se é que houve algum dia. As recentes descobertas na neurociência vêm para somar à esta tendência, mostrando que aprender é guardar uma informação na memória de longa duração, e que isso só é possível quando o conhecimento faz sentido na vida dos estudantes. “A memória de longo prazo se dá através da atribuição de sentido e de uma carga afetiva a este conteúdo, que ocorre no hipocampo. Por isso você esquece se não faz sentido.” destaca Anita Abed.

Este cenário de esquecimento, tão comumente ocorrido com os conteúdos acontece pois estes vêm desprovidos de significado e desconectados da vida cotidiana. “Para quê eu preciso aprender isso?” questionam os alunos. A aprendizagem real, que se fixa na memória, é conquistada com contextualização e sentido, e não com a famigerada repetição, é o que defende a neurociência.
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Formação dos professores

Anita destaca a importância deste item para a construção de um espaço positivo, pois é nos professores que reside a força motriz da mediação do conhecimento. “No documento para o MEC [O desenvolvimento das habilidades socioemocionais como caminho para a aprendizagem e o sucesso escolar de alunos da Educação Básica], eu defendi que nada mudaria se nós não investíssemos na formação do professor. É urgente prepará-lo para esta nova realidade pois ele não recebeu tais orientações em seu percurso acadêmico e muito menos em sua formação básica.”, pontua a psicopedagoga.

Segundo o professor e psicólogo Reuven Feuerstein, os critérios necessários para construir este novo tipo de mediação são:

  1. Intencionalidade do mediador e reciprocidade do mediado
  2. A transcendência da tarefa aprendida
  3. Mediação do significado;
  4. Mediação do sentimento de competência;
  5. Mediação do controle do comportamento;
  6. Mediação do comportamento de compartilhar;
  7. Mediação da individuação e diferenciação psicológica;
  8. Mediação da busca, do planejamento e do alcance dos objetivos;
  9. Mediação da busca da adaptação a situações novas e complexas;
  10. Mediação da consciência da modificabilidade;
  11. A mediação da alternativa positiva;
  12. Mediação do sentimento de pertencimento

 

Dessa maneira, o professor assume que não detém todas as informações e valoriza a participação do aluno, direcionando questionamentos e confrontando-o para que construa seu próprio conhecimento.
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Personalização do ensino

O princípio deste tópico é simples: se cada um de nós aprende em ritmos distintos de variadas maneiras por que limitamos a aprendizagem à formatos e ritmos únicos? A solução parece carregar algo de multifacetada e de personalizada. “Há um consenso cultural que diz que se deve aprender isso e aquilo na idade tal, até na alfabetização há uma certa pressa. Parece que a escola deve correr com os conteúdos pois o objetivo é passar no vestibular – e passar logo”, diz Anita.

Na ONG e escola ‘Projeto Âncora’ em Cotia, a personalização do ensino começa a se mostrar: as turmas são compostas por crianças e adolescentes de idades diferentes e contempladas com um currículo flexível. Entenda mais sobre esta iniciativa aqui.

É uma realidade que está em consonância com o esquema de Matriz de Habilidades trabalhada pelo ENEM, pois permite que sempre se possa melhorar na habilidade x ou y e não impede ritmos distintos. Não há um ponto de chegada, todos podem se desenvolver de acordo com suas próprias demandas.

A partir desta modificação, a avaliação ganhará outra importância pois a intenção de curto prazo não é “passar de ano” e sim aprender de maneira efetiva. A avaliação se torna então um instrumento que indica as lacunas de aprendizado que serão trabalhadas a seguir, no ritmo de cada aluno. Parece difícil dar atenção única para cada um, mas certamente com o auxílio da tecnologia isso se torna mais possível.

No caso da plataforma Missão Universitário, ou MISSU, a tecnologia vem para auxiliar este processo. A partir de avaliações fundamentadas na Matriz de Habilidades do ENEM, o MISSU permite que o aluno teste seus conhecimentos e planeje seus estudos, considerando as habilidades em que possui maior dificuldade. Desta maneira, o aluno ganha autonomia para se planejar individualmente na melhora de proficiência e a escola pode identificar as principais dificuldades das turmas, podendo auxiliar também os estudantes neste planejamento individual.
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Ensino Híbrido

A tecnologia pode complementar o objetivo pedagógico, e certamente não substituirá a escola pois não dispõe de ferramentas que possibilitem este acontecimento. Portanto, nada melhor que utilizá-la ao seu favor!

Para construir um bom ensino híbrido mesclando interações offline e online, é necessário aliar as vantagens da aprendizagem presencial com as vantagens da aprendizagem à distância. Anita, que é defensora do ensino híbrido, defende esta necessidade: “O relacionamento entre os indivíduos se desenvolve no espaço físico, e é complementado por outros desenvolvimentos no virtual. Há habilidades que o online não desenvolve e abordagens que o presencial não possibilita, por isso existe um grande potencial escondido na junção destas duas forças.

Neste contexto híbrido faz sentido também a gamificação, amplamente discutida atualmente. “O jogo é ótimo para simular problemas, permite que você viva coisas intensas do ponto de vista emocional e cognitivo aprendendo a lidar com isto quando acontecer na vida real. Por isso, transferir essas aprendizagens para a vida é essencial”, conta ela.

A união de forças como a nova formação dos docentes, o ensino ao pensamento crítico, o estímulo ao desenvolvimento de habilidades socioemocionais, a atribuição de significado e seleção de formatos distintos de aprendizagem, o ensino híbrido entre outras iniciativas inovadoras podem ser capazes de construir a escola do futuro, que abrigará a formação desta e das próximas gerações. É importante destacar que a educação está sujeita à modificações bem como a outras instituições da sociedade, e que as ideias aqui propostas podem ser apenas um pontapé para aquilo em que ela se transformará nos próximos 30 anos.

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