Entende-se que o planejamento escolar seja um documento que contém as chaves para tudo o que será proposto no ambiente da aprendizagem escolar, além de ser uma ferramenta para o desenvolvimento profissional do corpo docente.
É uma excelente oportunidade de sustentar a cultura e os valores de uma instituição em ações formativas e práticas pedagógicas. Para saber, portanto, se tal planejamento está resultando naquilo que se propõe – que é educar e formar jovens – este deve ser elaborado a partir de evidências e dados que são observados no ambiente educacional.

Daí vem a importância de mensurar resultados e captar dados tanto quantitativamente quanto qualitativamente para compor planejamentos pedagógicos realmente relevantes.

Assim como a inovação, o ensino híbrido e as práticas digitais, a mensuração de dados vem crescendo no meio educacional. Isso se deve em boa parte pela crescente necessidade de se verificar se as atividades propostas em sala de aula estão sendo capazes de garantir a aprendizagem e a boa relação entre o professor o aluno, os conteúdos e habilidades trabalhados.

Com as evidências, é possível descobrir o que está funcionando e o que não está, e, a partir disso, construir ações mais efetivas.

Torna-se possível identificar, por exemplo:

  • os problemas de aprendizagem dos alunos,
  • métodos de ensino eficazes e ineficazes,
  • os talentos e habilidades de cada turma/aluno, bem como seu aproveitamento ou falta de em sala de aula
  • o que está dificultando a boa relação entre os alunos e professores,
  • problemas cognitivos, sociais e emocionais
  • condições pouco favoráveis no ambiente escolar
  • os trabalhos e atividades que têm surtido um efeito bom ou excelente
  • e as áreas em que se concentram as dificuldades

Para fazer a análise, é recomendável que a instituição utilize resultados do trabalho realizado no ano anterior, verificando as lacunas. Por exemplo: do 1º ao 5º ano um dos maiores objetivos é o padrão avançado na leitura e um nível bom de letramento. Caso os dados obtidos demonstrem que as atividades realizadas no 1º ano não têm favorecido o progresso dos alunos é necessário redefinir essas atividades e redesenhá-las no planejamento do ano seguinte, tanto para reeducar as turmas com esta lacuna quanto para melhorar os estudantes que irão adentrar ao 1º ano.

Ao entender a relevância da mensuração de dados no resultado final do aprendizado, os gestores passam a admitir a necessidade de fazer diagnósticos de aprendizagens das turmas. Estes diagnósticos são importantíssimos para fundamentar o planejamento pedagógico de qualquer escola, já que possuem o objetivo de:

  • Identificar habilidades críticas e definir habilidades prioritárias para cada ano, semestre ou bimestre letivo
  • Sinalizar a necessidade de aulas de reforço segmentadas por áreas com base nas particularidades das turmas
  • Avaliar o progresso na proficiência dos alunos ao longo do ano letivo
  • Permitir a revisão do Plano Pedagógico com base em evidências

Para saber mais sobre a contribuição dos diagnósticos para a saúde de uma instituição educacional e como estes podem auxiliar os gestores, leia o artigo do blog do MISSU para escolas, um projeto que busca auxiliar escolas públicas e privadas na especialização das gestões administrativa e pedagógica: Por que sua escola precisa de diagnósticos de aprendizagem.

E, ainda mais importante, para saber como aplicar este conhecimento, entendendo porquê apenas os testes e exames convencionais não são indicadores completos e qual é o processo de avaliação frequente ► interpretação de dados ► intervenção no plano. Saiba mais no artigo: Como utilizar diagnósticos para atualizar o Plano Pedagógico.

A psicóloga escolar Gertrude Hildreth sugere, ainda que não seja tão fácil, que é necessário considerar as seguintes áreas na avaliação:

  • As aptidões mentais dos alunos envolvidos no processo de aprendizagem escolar, como: raciocínio, memória, atenção, percepção, associação, julgamento, compreensão, auto-crítica, disciplina mental etc.
  • As aptidões verbais como: domínio de linguagem do vocabulário, da rapidez ou lentidão na utilização dos símbolos verbais, capacidade de usar palavras e sentenças, capacidade descritiva e de simbolização.
  • As características de personalidade tais como: capacidade de iniciativa, de perseverança, de auto controle, de curiosidade, de responsabilidade, atitudes frente ao fracasso e ao sucesso, graus de ajustamento e de maturidade, entre outras.
  • As condições físicas, ou seja, o nível de controle motor, o estado de nutrição entre outros.
  • O meio familiar, o nível econômico-social, e, se possível os contatos sociais
  • Todo o meio escolar, o que envolve: histórico escolar, adaptação, rendimento, hábitos de estudo, dificuldades, mudanças excessivas de métodos e de escolas, etc.
  • E, por fim, em casos específicos os interesses culturais e cognitivos identificados em sala e fora dela, as prospecções e planos de vida.

É importante lembrar que o trabalho da mensuração é tão importante quanto a análise e aplicação dos aprendizados no planejamento pedagógico, caso contrário as lições aprendidas não se tornarão realidade, permitindo as mesmas lacunas no próximo ano.

Esperamos que este conteúdo seja capaz de auxiliá-lo no entendimento da importância de mensurar dados e aplicá-los no planejamento, para uma maior qualidade educativa.

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